Há 40 anos, empresários pediam a democracia

O apoio ao exercício da cidadania não é de hoje na Votorantim. Em 1978, em pleno regime militar, Antônio Ermírio de Moraes e outros empresários vieram a público, corajosamente, para pedir a redemocratização do país. 

 

O compromisso da Votorantim com a cidadania no ano do centenário tem origens na nossa história. A empresa sempre teve consciência de seu papel como empresa cidadã e apoiou causas voltadas à melhoria da vida das pessoas e ao desenvolvimento das regiões e cidades onde possui operações.

Um episódio, em especial, está completando 30 anos em 2018. É uma passagem histórica: em 1978, o Brasil vivia sob o regime militar e um grupo reunindo os maiores empresários brasileiros se posiciou publicamente em favor da redemocratização do país.  

Foi a primeira vez que o empresariado brasileiro se manifestou a respeito desse tema, enfrentando um governo militar que estava no poder desde 1964. O empresário Antônio Ermírio de Moraes, então diretor superintendente da Votorantim, foi um dos porta-vozes desse grupo, que reunia ainda José Mindlin, Cláudio Bardella, Severo Gomes, Paulo Villares, Laerte Setúbal Filho, Paulo Vellinho e Jorge Gerdau.

O “Documento dos Oito”, como ficou conhecido o manifesto, foi lançado em 26 de junho de 1978 e pedia mudanças na economia e a redemocratização do país, o que só viria a acontecer em 1985, com a eleição do primeiro presidente civil desde 1964, ainda em eleições indiretas pelo Congresso Nacional.

Esse manifesto histórico, publicado pelos jornais da época, enumerava um conjunto de pontos e desafios brasileiros, muitos deles ainda hoje presentes nos debates nacionais.

Àquela altura, o governo do general Ernesto Geisel havia iniciado um processo de abertura “lenta e gradual”, conforme definição do próprio governo. E o papel de vozes importantes na economia em favor da democracia foi um marco. Pois trazia preocupações dos empresários com as questões sociais:

“Na qualidade de dirigentes de empresas e, como tal, conscientes da dimensão social e mesmo política de nossa atividade, pensamos submeter nossas ideias ao exame dos vários setores da sociedade brasileira e, em especial, dos homens públicos e do empresariado. Desejamos exprimir nossa concepção sobre os rumos do desenvolvimento econômico, fundado na justiça social e amparado por instituições políticas democráticas, convencidos de que estes são, no essencial, os anseios mais gerais da sociedade brasileira.”

O desenvolvimento da indústria e o papel do Estado na formulação de políticas para desenvolvimento dos etor produtivo, incluindo a abertura a novas tecnologias, também estavam presentes no manifesto:

“Outra questão relevante que gostaríamos de suscitar diz respeito á formulação de uma política de produção, absorção e adaptação de tecnologia. Esta política deve ser definida e implementada a partir das próprias prioridades do desenvolvimento industrial e da disponibilidade de recursos naturais. Especial atenção deve ser dirigida para a investigação de novas fontes de energia e aqui, particularmente, devem ser respeitados os critérios de nossas potencialidades naturais e humanas.”

Havia também no documento a preocupação com o ecossistema produtivo, incentivando pequenas e médias empresas, questão ainda hoje em pauta no debate sobre o desenvolvimento e a geração de empregos:

“Julgamos necessário chamar a atenção para o problema do estímulo à pequena e média empresa, base da livre iniciativa. É certo que a política governamental neste campo exige esforços redobrados, tanto no que diz respeito à disponibilidade de recursos suficientes para expansão e modernização quanto no que se refere a apoio tecnológico e assistência técnica direta.”

A questão da justiça social é amplamente citada em trechos que, mais uma vez, remetem a situações ainda existentes:

“Todos sabemos que o processo de desenvolvimento econômico convive com desigualdades sociais profundas. Sabemos também que as origens destas desigualdades são remotas e de natureza diversa. Mas devemos admitir que sua presença na cena brasileira se tornou crítica, pondo em risco, a longo prazo, a estabilidade social e exigindo, de imediato, soluções compatíveis com as exigências de uma sociedade moderna. Qualquer política social consequente deve estar baseada numa política salarial justa, que leve em conta, de fato, o poder aquisitivo dos salários e os ganhos de produtividade médios da economia. (...) É necessário que o Estado enfrente as carências gritantes em matéria de saúde, saneamento básico, habitação, educação, transportes coletivos urbanos e de defesa do meio ambiente.”

DEFESA DA DEMOCRACIA

Por fim e de fundamental importância naquele momento histórico, o documento afirma a defesa da democracia:

“Acreditamos que o desenvolvimento econômico e social, tal como o concebemos, somente será possível dentro de um marco político que permita uma ampla participação de todos. E só há um regime capaz de promover a plena explicitação de interesses e opiniões, dotado ao mesmo tempo de flexibilidade suficiente para absorver tensões sem transformá-las num indesejável conflito de classes – o regime democrático. (...) Mas defendemos a democracia, sobretudo, por ser um sistema superior de vida, o mais apropriado para o desenvolvimento das potencialidades humanas. E é dentro desse espírito, com o desejo de contribuir, que submetemos nossas ideias ao debate do conjunto da sociedade brasileira, e em especial, de nossos colegas empresários e dos homens públicos.”

Ao completar 100 anos, a Votorantim decidiu apoiar o exercício da cidadania, por meio da melhoria da educação pública e do exercício do voto consciente. A educação é a base de uma sociedade mais justa e com melhores oportunidades para todos, e o voto consciente é a ferramenta mais democrática de transformação da gestão pública. Por isso a companhia ampliou a Parceria Votorantim pela Educação para 103 cidades em 2108 e desenvolveu a plataforma digital Guia do Voto, um site e aplicativo voltado para a consciência do cidadão sobre o sistema eleitoral, os papéis de cada cargo eletivo, e que propõe uma jornada de conhecimento para o eleitor, mostrando a ele como os partidos votaram temas importantes no Congresso e quais têm maior afinidade com suas ideias.

O Guia do Voto está disponível para download nas lojas de aplicativos de celulares e para acesso via computador no endereço: www.guiadovoto.org.br.

 

Clique aqui para ler a íntegra do Documento dos Oito

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