A moda da Votorantim na passarela da Fenit

Muitos anos antes de surgir no cenário da moda brasileira a São Paulo Fashion Week (em 1994), havia um evento que foi o precursor dos desfiles como os conhecemos hoje. Era o “Miss Algodão”, no qual os expositores da Fenit, a Feira Nacional da Indústria Têxtil, apresentavam suas produções e destacavam o uso de fibras naturais brasileiras – por isso o nome “Miss Algodão”. Desde a primeira edição da Fenit, em 1958, a Votorantim era uma das participantes da feira com os produtos da sua tecelagem, além de apresentar suas coleções no desfile. A Fenit, à época, era a maior vitrine da moda do país e os desfiles atraíam a atenção do público em geral pois, além de roupas, traziam atrações musicais.

O sucesso fez com que a Fenit, nos anos seguintes, passasse a promover desfiles em todas as noites da feira, como uma forma promover os produtos brasileiros. A qualidade dos tecidos e fibras nacionais estava cada vez melhor e os nossos produtos queriam ser reconhecidos como bons concorrentes aos produtos importados.

A atuação na área têxtil está ligada à origem da Votorantim. A companhia começou há exatos 100 anos, em janeiro de 1918, justamente como uma fábrica de tecidos no interior de São Paulo. Essa fábrica fazia parte da massa falida do Banco União, que foi arrematada em leilão pelo português Antonio Pereira Ignacio, o fundador da Votorantim. Sob sua gestão, a Votorantim transformou-se numa das maiores indústrias têxteis do país – por isso a participação na Fenit.

Além de atrair o público em geral interessado nas novidades da moda, a Fenit era um espaço de negócios. Os stands passaram a ganhar destaque, pois eram onde os executivos da indústria têxtil fecham contratos com os fabricantes de tecidos. Além de entretenimento, a feira permitiu que o mercado abrisse cada vez mais espaço para a produção nacional. Na quinta edição da feira, em 1962, a Votorantim foi o principal patrocinador da Fenit e teve um stand de destaque na feira. 

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Ao longo dos anos, foi aumentando a necessidade de dar acesso ao grande público na feira. A partir de meados dos 1960, os desfiles passaram a incluir músicos e artistas conhecidos, como forma de atrair mais público. Cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Rita Lee e Tim Maia, e atores como Raul Cortez, Jô Soares e Maria Della Costa, participaram da feira, como atrações especiais. Outros artistas desfilaram, como Erasmo Carlos e Wanderléa, que subiram na passarela como modelos da moda jovem-guarda em 1966.

 

Mais do que aquecer o setor têxtil, a feira também influenciou o avanço do mercado editorial de moda, fomentando a criação de revistas femininas especializadas, como Manequim e Cláudia. Nessas publicações, as empresas passaram a investir em anúncios de suas coleções, para não limitar a divulgação de seus produtos ao período da feira anual. A Votorantim também. A empresa anunciou as novas coleções de roupas femininas da marca Tecidos Votorantim em diversas ocasiões. Como os anúncios das coleções “Alvorada” e “Guanabara”, publicadas pela revista Manchete em 1960, que traziam ensaios fotográficos feitos no Rio de Janeiro e em Brasília.   

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Com a diversificação de portfólio e o investimento em outros setores, a Votorantim encerrou as atividades da tecelagem em 1993.

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